A tentativa do governador de classificar como “fake news” o protesto de uma comerciante, mãe solo, em Amarante, contra a cobrança de ICMS sobre a energia solar excedente acabou produzindo efeito contrário ao desejado. O remendo ficou pior do que o rasgo. Ao justificar a cobrança, o governo argumentou que outros estados também aplicam ICMS sobre a energia excedente. O que não foi destacado é que a Justiça do Piauí havia determinado a suspensão da taxa até que se esclareça a legalidade do imposto, já que não há compra e venda na compensação da energia injetada na rede pelo pequeno produtor. Foi o próprio Estado, por meio da Procuradoria-Geral, que recorreu ao Supremo Tribunal Federal e obteve decisão para restabelecer a cobrança até o julgamento definitivo do mérito. Na contramão, em Goiás, sob a gestão do governador Ronaldo Caiado, o entendimento foi diferente: o Estado reconheceu questionamentos jurídicos e iniciou devoluções de valores arrecadados, restituindo milhões de reais aos consumidores. A polêmica ganhou novo fôlego após o jornalista Pedro Alcântara ouvir a comerciante de Amarante, que confirmou pagar cerca de R$ 400 mensais de ICMS sobre a energia excedente valor que, segundo juristas, é alvo de questionamentos quanto à legalidade, justamente por não haver fato gerador caracterizado. Ao tentar desqualificar o protesto como desinformação, o governo acabou ampliando o debate jurídico e político. E, neste caso, o remendo acabou chamando mais atenção do que o próprio rasgo.
Carta aberta de Wellington Dias expõe racha no PT e reação a ataques do grupo ligado a Rafael Fonteles.
A carta aberta divulgada por Wellington Dias aos filiados do PT do Brasil e do Piauí revela mais do que um pedido de orações: escancara o clima de tensão interna e a reação do senador ao que considera uma campanha de calúnias contra sua trajetória política. No texto, Wellington afirma que seguirá lutando pelo partido no plano nacional e estadual e pede orações “contra as calúnias”. Nos bastidores, aliados interpretam a declaração como resposta direta a informações que vêm sendo disseminadas por integrantes do grupo político ligado ao governador Rafael Fonteles conhecido no meio político como “Rafa Boys”. Segundo essas versões espalhadas em setores da mídia, Wellington estaria tentando construir um suposto “projeto de poder familiar”, buscando espaço político para o filho. A carta, porém, rebate essa narrativa ao esclarecer que o nome do filho foi eventualmente citado apenas como integrante do partido, sem qualquer imposição ou exigência de cargo. A insinuação de um plano familiar seria, nas entrelinhas, uma tentativa de desmoralizá-lo politicamente. Outro ponto sensível da carta é a menção à filha, Daniele Dias. Wellington relata que esteve acompanhando a filha em exames médicos, agradece as orações recebidas e as manifestações de apoio. Para observadores da cena política, a citação não foi casual. Semanas atrás, o governo estadual retirou o nome de Daniele de um Centro de Tratamento de Pessoas com Autismo que levava sua homenagem. Após reação de aliados do senador, a placa foi recolocada, e o episódio foi classificado pelo governo como “equívoco”. O gesto, no entanto, teria causado profundo desgaste pessoal e político. A carta também é vista como um sinal de que há, sim, um rompimento silencioso entre Wellington Dias e o atual núcleo do Palácio de Karnak. Ao reafirmar sua disposição de continuar na disputa política e defender o PT, o senador deixa no ar a possibilidade de colocar seu nome como opção ao governo do Estado. O que mais incomoda Wellington, segundo interlocutores, é a narrativa recorrente de que ele estaria negociando posições majoritárias em troca de espaço para o filho versão atribuída a integrantes do grupo mais próximo de Rafael Fonteles. Para aliados do ex-governador, esse tipo de articulação nos bastidores não apenas distorce fatos, como atinge sua honra e história dentro do partido. A carta aberta, portanto, longe de ser apenas uma manifestação religiosa ou pessoal, tornou-se um documento político. E, ao pedir orações contra calúnias, Wellington Dias deixou claro que a disputa interna no PT está longe de ser apenas administrativa ela já é, também, moral e pública.
Com enchentes no Sul do Piauí, Ciro Nogueira se destaca como única voz a cobrar estrutura do Estado.
Diante das fortes enchentes que voltaram a atingir municípios do Sul do Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP) surge como a principal e, até o momento, única voz a cobrar de forma direta ações estruturais do governo estadual para enfrentar os impactos das chuvas. As precipitações afetaram cidades como Fronteiras e Pio IX, deixando famílias desabrigadas e provocando prejuízos à produção agrícola. Além delas, municípios como Corrente, Floriano e São Raimundo Nonato voltaram a registrar inundações. No ano passado, Picos já havia enfrentado cenário semelhante, reforçando a percepção de que os problemas se repetem a cada período chuvoso mais intenso. Em suas manifestações, o senador defende que medidas emergenciais são necessárias, mas insuficientes diante da recorrência das enchentes. Para ele, o estado precisa investir em obras estruturantes, planejamento urbano adequado e políticas públicas permanentes capazes de reduzir os danos causados por eventos climáticos cada vez mais severos. Enquanto moradores das áreas atingidas contabilizam prejuízos e aguardam apoio, o debate sobre prevenção, infraestrutura e responsabilidade administrativa volta ao centro da pauta política no Piauí
Vídeo de Wellington Dias a caminho de Teresina amplia sinais de distanciamento com Rafael Fonteles.
Um vídeo gravado dentro de uma aeronave, na noite deste domingo, por Wellington Dias, reforçou os sinais de tensão política entre o senador e o atual chefe do Executivo estadual. No registro, feito durante o deslocamento de Brasília para Teresina, o ex-governador anuncia sua participação, na manhã desta segunda-feira, em evento na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), onde serão entregues ambulâncias e viaturas especiais destinadas ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, incluindo beneficiários do LOAS e usuários dos CRAS nos municípios piauienses. A escolha do local e do formato do evento chamou atenção nos bastidores políticos. O ato foi articulado no âmbito do ministério comandado por Wellington, sem protagonismo do Governo do Estado. Também não houve menção à participação institucional do Palácio de Karnak na entrega dos equipamentos. No próprio vídeo, Wellington destaca a parceria com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do trabalho conjunto com parlamentares federais e estaduais na luta contra a desigualdade e em favor das pessoas mais humildes. O detalhe político está na ausência de referência ao Governo do Estado ou ao governador Rafael Fonteles. Para observadores da cena política local, o gesto é simbólico. Em um momento de especulações sobre divergências internas no PT e ruídos entre os dois grupos, a gravação dentro da aeronave anunciando agenda própria, com protagonismo próprio e sem citação ao Executivo estadual foi interpretada como mais um indicativo de que a relação entre Wellington e Rafael atravessa uma fase delicada. Sem ataques diretos ou declarações explícitas, o vídeo fala pela ausência. E, na política, muitas vezes o que não é dito tem peso ainda maior do que o discurso.
Pressionado pelo desgaste de “imperador dos impostos”, Rafael Fonteles envia à Alepi projeto de isenção de IPVA para pessoas com deficiência.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), encaminha nesta segunda-feira à Assembleia Legislativa do Estado (Alepi) um projeto de lei que prevê isenção de IPVA para pessoas com deficiência na compra de veículos de até R$ 200 mil. A proposta contempla pessoas com deficiência física, visual, intelectual severa ou profunda, além de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Caso aprovada pelos deputados estaduais, a medida ainda dependerá de regulamentação da Secretaria da Fazenda para entrar em vigor. O envio do projeto ocorre em meio a críticas direcionadas ao governo estadual relacionadas à política tributária, especialmente diante da criação e ampliação de taxas, o que levou setores da opinião pública a apelidarem o chefe do Executivo de “imperador dos impostos”. Apesar do contexto político, o projeto é visto como iniciativa de alcance social relevante, ao ampliar o benefício fiscal para pessoas com deficiência e suas famílias. A matéria agora segue para tramitação e votação na Alepi.
Direita reúne multidões em vários estados e demonstra força política na Avenida Paulista.
Manifestações organizadas por movimentos de direita reuniram milhares de pessoas em diversos estados do Brasil neste fim de semana. A maior concentração ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, onde apoiadores se reuniram em um ato marcado por discursos políticos e críticas ao atual cenário institucional do país. O evento é visto por lideranças do movimento como uma demonstração de força e mobilização nacional, afastando, ao menos neste momento, rumores de divisão interna no campo conservador. A expressiva participação popular reforça a articulação política do grupo em ano pré-eleitoral. Durante o ato, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro “voltará ao Palácio do Planalto em 2027”, em referência ao próximo ciclo presidencial. A declaração foi interpretada como sinalização clara de confiança em uma eventual vitória do grupo político nas eleições de outubro. Os organizadores avaliam que a mobilização nacional evidencia unidade estratégica e capacidade de engajamento popular, contrapondo análises que apontavam possível fragmentação da direita brasileira.
Silas Freire